Sobre um possível “encontro” entre o Báb e Bahá’u’lláh


Informações (das Escrituras e de outras narrativas) sobre o tema de um possível encontro entre o Báb e Bahá’u’lláh.

Pelo Departamento de Pesquisa da Casa Universal de Justiça

Considerando o facto que alguns dos amigos mantiveram discussões e expressaram opiniões sobre se Bahá’u’lláh e o Báb Se encontraram, o comentário sobre esta questão preparado pelo Departamento de Pesquisa do Centro Mundial Bahá’í a pedido da Casa Universal de Justiça com base nas Escrituras Sagradas e textos históricos, e posteriormente comunicados pelo Secretariado da Casa de Justiça, é seguidamente apresentado para esclarecimento dos amigos. (Corpo Editorial da revista ‘Andalib)

O Departamento de Pesquisa recebeu a carta do Sr. Ruhu’llah Mudir-Masiha’i, datada de 4 de Dezembro de 1985, relativa à questão de saber se Bahá’u’lláh e o Báb se encontraram, e considerou cuidadosamente os vários pontos que ele levantou.

A única referência conhecida a este assunto nas Escrituras de Bahá’u’lláh surge numa Epístola dirigida a Varqa, escrita à mão e com a assinatura de Khadimu’lláh, e publicada em Ma’idiy-i-Asimani, volume 4 (Teerão, Mu’assisiy-i-Milliy-i-Matbu’at-i-Amri, 129 B.E., pag. 154). Nesta Epístola, Bahá’u’lláh afirma que:


Aquele que anunciou a luz da Orientação Divina, isto é, o Ponto Primordial – que as almas de todos, salvo Ele, sejam sacrificadas pela Sua causa – nos dias em que Ele estava a viajar para Maku, alcançou aparentemente a honra do encontro com Bahá’u’lláh, embora este encontro tenha estado oculto de todos.

A referência das Escrituras de ‘Abdu’l-Bahá a este assunto, porém, indica que nenhum encontro corpóreo, ou físico, ocorreu entre Bahá’u’lláh e o Báb, pois numa epístola escrita em resposta a Jinab-i-Shukuhi (Shiraz), cujas palavras iniciais são “Ó Servo de Bahá! As tuas cartas pormenorizadas chegaram sucessivamente…”, afirma:


A Beleza Antiga – que a minha vida seja oferecida pelos Seus entes queridos – não Se encontrou presencialmente com Sua Santidade, o Exaltado, – que minha vida seja um sacrifício por Ele.

De acordo com um “esclarecimento” que surge na página 573 de Al Kavakibu’d-Durriyyih, volume 1, de ‘Abdu’l-Husayn Avarih, ‘Abdu’l-Bahá escreveu certas observações na margem da cópia manuscrita original do livro, com o propósito de melhorá-lo e alterá-lo, que “foram agora adicionados ao corpo do livro, acrescentando-lhe autoridade e valor”. Entre essas notas marginais que foram adicionadas ao texto de Al-Kavakibu’d-Durriyyih está a afirmação de que Bahá’u’lláh “definitivamente nunca se encontrou” com o Báb.” (Al-Kavakibu’d-Durriyyih, volume 1, Cairo, Sa’adat Press, 1923, page 96).

Embora os dois textos explícitos anteriores por si só não deixem margem para dúvidas de que Bahá’u’lláh e o Báb não se encontraram presencialmente, existe ainda um documento adicional, escrito à mão e com a assinatura do falecido Jinab-i -Mirza Asadu’llah-i-Qumi, que confirma plenamente o seu significado. Neste documento, Jinab-i-Mirza Asadu’llah registou o seguinte:


Perguntei a ‘Abdu’l-Bahá se Bahá’u’lláh e o Báb haviam se tinham em carne e osso. “Não”, respondeu ele, “eles não se encontraram”.

Além disso, o falecido Jinab-i-Ahmad-i-Yazdani registou o seguinte numa carta sua dirigida à Casa Universal de Justiça:


Sobre este assunto, gostaria de chamar a atenção dos membros da Casa Universal de Justiça que quando, em 1920, tive o privilégio de estar na presença de ‘Abdu’l-Bahá, e perguntei-Lhe, a pedido de um número de amigos, se tinha acontecido ou não um encontro entre Bahá’u’lláh e o Báb, Ele afirmou explicitamente em resposta: “Não, Eles não se encontraram”.

Além dos dois textos anteriores, e das declarações de ‘Abdu’l-Bahá relatadas por Mirza Asadu’llah-i-Qumi e Jinab-i-Ahmad-i-Yazadani, o testemunho da Narrativa de Nabil – cujo conteúdo foi revisto por Bahá’u’lláh, e que foi corrigido, emendado, traduzido e divulgado pelo Guardião – é igualmente claro que Bahá’u’lláh não Se encontrou com o Báb, pois nesta história, que foi caracterizada por Shoghi Effendi como o “padrão para histórias futuras”, Nabil’-i-Zarandi cita Bahá’u’lláh como tendo declarado ao principal mulá de Amul, que O questionou sobre a Missão do Báb, que “embora nunca O tivéssemos conhecido face a face, mesmo assim acalentamos um grande afecto por Ele. Expressámos a nossa profunda convicção de que Ele, em nenhuma circunstância, agiu de forma contrária à fé do Islão.” (Dawn Breakers, página 461)

Visto que é evidente a partir destes vários testemunhos que Bahá’u’lláh e o Báb definitivamente não Se encontraram em carne e osso, torna-se necessário entender a Epístola de Bahá’u’lláh a Varqa como indicando algo diferente de um encontro presencial comum. O sentido da declaração de Bahá’u’lláh a este respeito talvez possa ser comparado à narrativa do Evangelho sobre o encontro de Cristo com Moisés e Elias no Monte Tabor, uma vez que este encontro também não ocorreu na carne e osso, e, tal como ‘Abdu’l-Bahá explicou na Sua interpretação destas narrativas:


É… evidente que o espírito tem grande percepção sem o intermédio de qualquer dos cinco sentidos, como os olhos ou os ouvidos. Entre as almas espirituais existem compreensões espirituais, descobertas, uma comunhão que está purificada da imaginação e da fantasia, uma associação que está santificada acima de tempo e de lugar. Assim está escrito e é evidente que este não foi um encontro material. Foi uma condição espiritual que se expressa como um encontro físico. (Some Answered Questions, page 252)

Espera-se que esta breve explicação sirva para elucidar plenamente o assunto.


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