O Meio-Termo de Aristóteles e o Papel da Moderação


Por Arvin Joshua Diaz.

Aristóteles definiu a virtude como o equilíbrio desejável entre dois extremos, o chamado Meio-Termo. Na filosofia de Aristóteles, a virtude é um estado de ser, “um estado capaz de decidir, que consiste num meio-termo fixado relativamente a nós, determinado de um modo racional, isto é, tal como o determinaria o homem dotado de sabedoria prática”. Aristóteles argumentou que a carência ou o excesso destrói a virtude.

Buda resumiu o Meio-Termo como o Caminho do Meio, um caminho moderado entre a abnegação extrema e a autoindulgência sensual e materialista.

A Bíblia, no Livro de Eclesiastes (cap.7) diz-nos que quem teme a Deus evitará todos os extremos.

O Islão é chamado “Caminho Íntegro” (ou “Caminho do Meio”), porque enfatiza a moderação em vez dos seus extremos opostos como o monasticismo rígido e a ganância.

À semelhança das grandes religiões mundiais, a Fé Bahá’í também nos apresenta um conselho espiritual semelhante. Bahá’u’lláh, o profeta fundador da Fé Bahá’í, escreveu:


A palavra de Deus que a Pena Suprema registou na nona folha do Mais Exaltado Paraíso é esta: Em todos os assuntos é desejável moderação. Se algo for levado ao excesso, tornar-se-á uma fonte de mal. (Kalímát-i-Firdawsíyyih [Palavras do Paraíso])

E ‘Abdu’l-Bahá, o intérprete autorizado das Escrituras Bahá’ís e filho de Bahá’u’lláh, escreveu:


Quantas vezes aconteceu que um indivíduo que foi agraciado com todos os atributos da humanidade, e usava a joia da verdadeira compreensão, ainda assim seguiu as suas paixões até que as suas excelentes qualidades ultrapassaram a moderação, e ele foi forçado ao excesso. As suas intenções puras mudaram para más, os seus atributos deixaram de ser usados de forma digna, e o poder dos seus desejos desviou-o da rectidão e das suas recompensas para caminhos perigosos e sombrios. Um bom carácter é aos olhos de Deus e dos Seus eleitos e dos possuidores de discernimento, a mais excelente e louvável de todas as coisas, mas sempre com a condição de que o seu centro de emanação seja a razão e o conhecimento, e a sua base seja a verdadeira moderação. (Secret of Divine Civilization)

Mas as circunstâncias quotidianas, levam-nos por vezes aos excessos e às carências em vez da moderação.

Como podemos regressar a um meio-termo, a um modo de vida moderado e razoável que evita o excesso em favor do tacto, da sabedoria e da delicadeza? Como podemos controlar os nossos desejos, tornar a nossa conduta justa e equilibrada e moderar os nossos actos?

Obviamente, como seres humanos, as nossas circunstâncias e os nossos gostos diferem. Todos nós gostamos de certas coisas – comida, roupas, bens – e não gostamos de outras. Alguns filósofos ocidentais contemporâneos acreditam que tudo está relacionado com os nossos gostos – mas se usarmos o gosto como único critério, isso pode levar ao excesso. Se eu gosto de bolos, por exemplo, posso ficar tentado a comer bolos em todas as refeições, mas esse tipo de excesso não seria saudável nem sensato. Manter uma relatividade de equilíbrio e sabedoria nas nossas circunstâncias requer a força de vontade do indivíduo para superar e moderar os gostos pessoais.

Podemos beneficiar da maioria das coisas quando as usamos com moderação – e, ao mesmo tempo, pedindo a graça de Deus através da oração.

Os ensinamentos da Fé Bahá’í recomendam moderação em todas as coisas. Apenas como exemplo, o princípio Bahá’í da moderação condena os extremos da riqueza e da pobreza, e pede-nos que encontremos uma solução espiritual para os problemas económicos da humanidade. Bahá’u’lláh pronunciou-se contra o ascetismo e o monasticismo, e encorajou os Bahá’ís a apreciarem as bênçãos e a beleza deste mundo com alegria e felicidade.

Na perspectiva de Aristóteles – e na perspectiva Bahá’í – devemos sempre procurar a moderação como o caminho para uma vida virtuosa. Temos de praticar a prudência para praticar a moderação; e a moderação também pode ajudar-nos a desenvolver as nossas características morais. Se a alma humana canalizasse as bênçãos do mundo lembrando-se de Deus, e obedecendo às suas leis, a moderação poderia levar-nos a um mundo mais generoso e agradável.


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Texto original: Aristotle’s Golden Mean and the Role of Moderation (www.bahaiteachings.org)

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Arvin Joshua Diaz é estudante e vive em Manila, nas Filipinas.



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