O Mais Pobre dos Presidentes


Por David Langness.


Se soubessem o que eu sei sobre o poder de dar, não deixariam passar uma única refeição sem a partilhar de alguma forma. – Buda



Apenas temos aquilo que damos. – Isabel Allende



Quase todos os homens conseguem enfrentar a adversidade, mas se quiserem testar o carácter de um homem, dêem-lhe poder. – Abraham Lincoln

Durante cinco anos, o 40º presidente do Uruguai, José Alberto Mujica Cordano, foi o presidente mais pobre do mundo. Ele esteve em funções entre 2010 e 2015 e reformou-se aos 81 anos. Ele e a sua esposa moram numa pequena e simples quinta nos arredores da capital uruguaia, Montevideu – e viveram lá durante a sua presidência, recusando-se a ocupar o luxuoso palácio presidencial do Uruguai e ser servidos pelos seus muitos funcionários.

Quando era Presidente do Uruguai, “Pepe” Mujica doava 90% do seu salário mensal de 12.000 dólares a instituições que apoiavam os pobres e os pequenos empresários. O montante restante, decidiu ele, seria o rendimento médio de todos os cidadãos do seu país. A sua esposa era proprietária da quinta; o então do presidente Mujica possuía apenas um bem importante: um Volkswagen Carocha (Fusca) de 1987. Ele declarou o valor do carro antigo –1800 dólares – como o seu único bem e património líquido total em 2010, o primeiro ano de sua presidência.

Quando o presidente Mujica terminou o seu mandato em 2015 – com um índice de aprovação recorde e uma economia próspera – um rico xeque árabe ofereceu-lhe 1 milhão de dólares pelo seu famoso Volkswagen. Ele disse que, se vendesse o carro velho, doaria todo o valor para um programa para abrigar pessoas que vivem na rua.

A sua humildade pode ser o resultado dos 13 anos que passou na prisão, por ordem da brutal ditadura militar que governou o Uruguai. Esse tempo na prisão incluiu dois anos de confinamento solitário numa cave, num velho bebedouro para animais. Ele disse: “Os meus anos na prisão foram como uma formação prática para mim – na verdade, moldou a minha maneira de pensar e os meus valores”.

O Presidente Mujica via a sua presidência como uma forma de servir o povo do seu país, e não como uma forma de enriquecer ou promover-se. Sempre modesto, via o seu trabalho como um cargo de serviço público.

Conseguem imaginar como seria o mundo se todos os líderes agissem desta forma?

Os ensinamentos Bahá’ís recomendam exactamente isso:


Ó governantes da terra! Porque haveis obscurecido o esplendor do Sol, e feito com que ele deixasse de brilhar? Escutai o conselho que vos é dado pela Pena do Altíssimo, para que, porventura, tanto vós como os pobres possais alcançar a tranquilidade e a paz. Suplicamos a Deus que auxilie os reis da terra a estabelecer a paz no mundo. Ele, em verdade, faz o que deseja.



Ó reis da terra! Vemos-vos a aumentar todos os anos as vossas despesas e a colocar o peso destas sobre os vossos súbditos. Isto, em verdade, é total e grosseiramente injusto. Temei os suspiros e as lágrimas deste Injuriado, e não coloqueis uma carga excessiva sobre os vossos povos. Não os roubeis para construir palácios para vós; pelo contrário, escolhei para eles aquilo que escolheis para vós próprios. (Súriy-i-Haykal, ¶178-179)

Escolhei para eles aquilo que escolheis para vós próprios”, aconselhou Bahá’u’lláh aos líderes do mundo nas Suas Epístolas. Escritas na última parte do século XIX, essas epístolas aos reis, governantes e autoridades eclesiásticas aconselhavam todos os políticos e monarcas a serem modestos e a desarmarem-se – e a dedicarem todos os seus esforços à justiça, à equidade e à paz.

Durante a sua viagem pela América do Norte, em 1912 – ano de eleições presidenciais nos Estados Unidos – ao visitar a Sra Phoebe Hearst em Pleasanton, Califórnia, ‘Abdu’l-Bahá falou sobre as verdadeiras qualidades de um líder nacional:


O presidente deve ser um homem que não busque insistentemente a presidência. Ele deve ser uma pessoa livre de todo a preocupação com nome e posição social; em vez disso, ele deveria dizer: “Sou indigno e incapaz desta posição e não posso suportar este enorme fardo”. Essas pessoas merecem a presidência. Se o objetivo é promover o bem público, então o presidente deve ser um amigo de todos e não uma pessoa egoísta. Mas se o objectivo, for promover os interesses pessoais, então tal posição será prejudicial para a humanidade e não será benéfica para o público. (Mahmud’s Diary, p. 327)

Nenhum líder ou governante poderá fazer algo melhor do que seguir este conselho radical. Na verdade, os ensinamentos Bahá’ís prometem a esses líderes altruístas “a mais elevada de todas as honras”:


…existe alguma acção no mundo que seja mais nobre do que o serviço ao bem comum? Existe alguma bênção maior concebível para um homem do que ele se tornar a causa da educação, do desenvolvimento, da prosperidade e da honra dos seus semelhantes? Não, pelo Senhor Deus! A maior de todas as honras é que as almas abençoadas segurem as mãos dos desamparados e os libertem da sua ignorância, humilhação e pobreza, e com motivos puros, e apenas por amor a Deus, se levantem e se dediquem energicamente ao serviço das massas, esquecendo as suas próprias vantagens mundanas e trabalhando apenas para servir o bem comum. (‘Abdu’l-Bahá, The Secret of Divine Civilization, p. 103)


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Texto original: The World’s Poorest President (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.



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