Como é que os Bahá’ís praticam a sua Fé?


Por Maya Bohnhoff.

A minha Assembleia Espiritual Local – o organismo dirigente de uma comunidade Bahá’í – pediu-me que respondesse a algumas perguntas sobre a Fé Bahá’í feitas por um estudante de religiões comparadas numa universidade local.

Essa alma curiosa e eu tivemos um diálogo notável e fascinante, e a nossa correspondência levou-me a esta série de textos “baseados na vida real”.

Disse a esta pessoa que havia muito mais na Fé Bahá’í do que aquilo que eu lhe poderia dizer com base nas suas perguntas, mas que faria o meu melhor.

A sua primeira questão: “Como é que a religião Bahá’í pratica a sua fé? Como é que os Bahá’ís fazem culto a Deus?”

Os Bahá’ís consideram a prática da fé e a adoração ao Criador como um elemento da vida quotidiana. Bahá’u’lláh, o profeta fundador da Fé Bahá’í, prescreveu a oração diária, a meditação e o estudo das Escrituras para cada crente individual, e disse que o trabalho realizado num espírito de serviço é um acto de adoração aos olhos de Deus. Também afirmou que nos devemos esforçar para adoptar nas nossas vidas diárias de uma atitude de oração para nos transformarmos a nós, às nossas famílias e as nossas interacções sociais.

Quando uso a palavra “meditação”, há quem pense em ioga, mas não existe uma forma recomendada de meditação na Fé Bahá’í. O filho mais velho de Bahá’u’lláh, ‘Abdu’l-Bahá, descreveu a meditação como a comunhão com o próprio espírito – como contemplação ou reflexão. A minha meditação pessoal muitas vezes consiste em escrever, trabalhar em arte ou simplesmente instalar-me num “espaço” tranquilo ao som noturno de uma floresta ou de um rio. Concentro-me no estado que procuro naquele momento: calma, foco, resiliência, criatividade, energia. Às vezes formo um mantra – uma imagem, som, palavra ou frase – que invoca essas qualidades espirituais. Como se costuma dizer, a sua extensão pode variar.

Em termos de actos de culto colectivo, Bahá’u’lláh desencorajou a criação de rituais religiosos e, em vez disso, deu-nos o que Ele chamou de Festa, que é realizada no primeiro dia de cada mês Bahá’í. O calendário Bahá’í tem 19 meses de 19 dias cada. O Ano Novo começa no equinócio de primavera no Hemisfério Norte, com a celebração do Naw-Ruz, que significa “Ano Novo”.

A Festa Bahá’í tem esse nome porque é um acto de adoração onde as comunidades Bahá’ís se reúnem para alimento espiritual e físico. Cada Festa Bahá’í tem três partes simples: devoção/adoração, consulta comunitária e comunhão. Sobre este pilar da vida comunitária Bahá’í, ‘Abdu’l-Bahá escreveu:


Deveis continuar a celebrar a Festa de Dezanove Dias. É muito importante; é muito bom. Mas quando vos apresentardes nas reuniões, antes de entrar nelas, libertai-vos de tudo o que tendes no coração, libertai os vossos pensamentos e as vossas mentes de tudo, excepto Deus, e falem ao vosso coração. Para que todos possam fazer desta uma reunião de amor, fazer dela a causa da iluminação, fazer dela uma reunião de atracção dos corações, rodear esta reunião com as Luzes da Assembleia Suprema, para que possais estar reunidos com o máximo amor.

E uma vez que a Fé Bahá’í não tem clero – por instrução explicita de Bahá’u’lláh – as orações são preparadas pela Assembleia Espiritual Local, ou por indivíduos ou grupos de crentes. A festa varia de comunidade para comunidade, e pode incluir música, leituras das Escrituras e orações ou outros elementos. Estes podem ser bastante diversos e reflectir a composição da comunidade. Os Bahá’ís Lakota Sioux podem, por exemplo, celebrar a festa com uma dança tradicional; os Bahá’ís de outros lugares podem celebrar a Festa com música gospel ou outra música folclórica.

Na parte consultiva/administrativa da Festa, os Bahá’ís discutem e consultam sobre assuntos como as actividades comunitárias, ou reflectem e respondem às comunicações recebidas das instituições nacionais e internacionais da Fé.

Além disso, tanto a comunidade como os indivíduos ou as famílias são encorajados a realizar reuniões devocionais a qualquer momento no nosso Centro Bahá’í local ou nas suas próprias casas, e os Bahá’ís também celebram uma série de Dias Sagrados anuais que assinalam eventos significativos na história da Fé. Mesmo nos aspectos administrativos da Fé, os Bahá’ís enfatizam o espírito.

E aqui, novamente, ‘Abdu’l-Bahá fala-nos sobre as reuniões Bahá’ís:


Esforçai-vos em cada reunião para que a Ceia do Senhor seja uma realidade e o alimento celestial desça. Este alimento celestial é o conhecimento, a compreensão, a fé, a segurança, o amor, a afinidade, a bondade, a pureza de motivo, a atracção dos corações e a união das almas… Quando a reunião é conduzida desta maneira, então ‘Abdu’l-Bahá também está presente de coração e alma, embora o Seu corpo possa não estar convosco.


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Texto original: How Do Baha’is Worship? (www.bahaiteachings.org)

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Maya Bohnhoff é Baha’i e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.



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