acender o Fogo com o Amor de Deus


Por David Langness.

Alguma vez teve um momento transcendente e sentiu-se levado por um estado místico de felicidade? Não foi maravilhoso? Gostaria de ter essas experiências intensas com mais frequência?

Todo o buscador espiritual vive para essas percepções profundas e poderosas sobre os aspectos transcendentes da vida.

Na verdade, as pessoas passam a vida inteira em busca dessa experiência espiritual transformadora. Todo o buscador deseja nadar no mar de mistérios e desenvolver um sentido de unidade, unicidade e ligação com uma consciência maior.

Mas como podemos encontrar essa transcendência – e quando a encontrarmos, como a sustentamos?

Os ensinamentos Bahá’ís apresentam três recomendações claras para quem procura uma experiência espiritual transcendente: meditação, oração e jejum. Todas essas técnicas para alimentar a nossa luz interior começam com a capacidade distintamente humana de autorreflexão e contemplação silenciosas. Bahá’u’lláh disse que:


…o sinal do intelecto é a contemplação e o sinal da contemplação é o silêncio, porque é impossível para um homem fazer duas coisas ao mesmo tempo – ele não pode falar e meditar ao mesmo tempo. (citado em The Importance of Prayer, Meditation and the Devotional Attitude: A Compilation)

Este estado de contemplação meditativa – o acto de sentar-se silenciosamente em pensamento profundo, de comungar com a sua consciência interior, aquela prática espiritual regular que os mestres Zen chamam zazen – pode ser particularmente eficaz e poderosa durante o período anual do jejum Bahá’í.


‘Abdu’l-Bahá
, numa palestra pública em Paris há mais de cem anos, encorajou todos os que procuram uma compreensão da dimensão mística da vida a desenvolverem uma prática meditativa regular:


A meditação é a chave para abrir as portas dos mistérios. Nesse estado, o homem abstrai-se; nesse estado, o homem retira-se de todos os objetos externos; nessa disposição subjetiva, ele está imerso no oceano da vida espiritual, e pode revelar os segredos das coisas em si próprias. Para ilustrar isto, pensem no homem como dotado de dois tipos de visão; quando o poder da percepção está a ser usada, o poder externo da visão não vê. Esta faculdade de meditação liberta o homem da natureza animal, discerne a realidade das coisas, coloca o homem em contacto com Deus. (citado em Prayer and Devotional Life)

Os ensinamentos Bahá’ís não têm técnicas, horários ou princípios recomendados para a meditação – os Bahá’ís são livres de meditar da forma que lhes for mais conveniente. Mas o Guardião da Fé Bahá’í, Shoghi Effendi, recomendou que os Bahá’ís aumentassem e intensificassem os seus esforços de meditação durante os dezanove dias do Jejum Bahá’í:


O Jejum é essencialmente um período de meditação e oração, de recuperação espiritual, durante o qual o crente deve esforçar-se por fazer os reajustes necessários na sua vida interior, e por refrescar e revigorar as forças espirituais latentes na sua alma. (citado no Kitab-i-Aqdas)

Para os Bahá’ís, ficar apenas sem comer e beber durante o dia, num acto meramente físico de abnegação, não constitui realmente um verdadeiro Jejum. Em vez disso, como sugerem os ensinamentos Bahá’ís, a meditação e a oração funcionam como parte integrante do jejum, tornando-o completo. Esses aspectos contemplativos do Jejum têm um objetivo único – alcançar os momentos transcendentes que as nossas almas desejam e encontrar o alimento espiritual de que necessitamos. ‘Abdu’l-Bahá disse:


Através da faculdade da meditação o homem alcança a vida eterna; através dela, ele recebe o sopro do Espírito Santo – a dádiva do Espírito é concedida na reflexão e na meditação.



O próprio espírito do homem é informado e fortalecido durante a meditação; através dela, os assuntos dos quais o homem nada sabia são revelados diante dos seus olhos. Através dela, ele recebe inspiração divina; através dela, ele recebe alimento celestial. (Paris Talks)

A meditação permite simplesmente que a pessoa fale com o seu próprio espírito. Praticamente qualquer pessoa que reserve dez, quinze ou vinte minutos todos os dias, e se sente onde nada perturbe a sua concentração interior, pode meditar. É especialmente fácil durante o jejum, quando as primeiras horas próximas ao nascer do sol ou o horário normal reservado para o almoço podem ser usados para meditar. Em vez de preparar e comer alimentos, podemos preparar as nossas almas para o alimento espiritual de que tanto necessitam.

Professores experientes de meditação recomendam algumas maneiras básicas de fazer isso funcionar: desligue o telemóvel, a televisão e qualquer outro aparelho electrónico que possa interferir. Lave o rosto e as mãos para se sentir exteriormente limpo e revigorado. Sente-se num lugar onde não haja distrações. Fique confortável. Faça uma oração. Então, tente limpar a sua mente de todos os pensamentos estranhos e ouça o seu espírito. Franz Kafka descreveu desta forma:


Você não precisa sair do seu quarto. Permaneça sentado à sua mesa e escute. Nem ouça, simplesmente espere. Nem espere, fique quieto e solitário. O mundo irá oferecer-se livremente para ser desmascarado, não terá escolha, revolver-se-á em êxtase aos seus pés.

É possível descobrir, ao iniciar uma prática consistente de meditação, que se consegue a reconhecer outras pessoas que meditam regularmente. Percebe-se a sua felicidade pacífica e serena, a sua calma espiritual clara – e eles notarão a sua.

A meditação e o jejum juntos podem ajudar a levar cada um de nós para esse estado transcendente onde incandescemos com o fogo do amor de Deus.


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Texto original: Fasting, Praying, and Meditating: Catching Fire from the Love of God (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.



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